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    resenhando “noite sem fim”, de agatha christie

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    “Toda noite e todo amanhecer

    Alguns nascem para sofrer.

    Toda manhã e todo anoitecer

    Alguns nascem para o doce prazer,

    Alguns nascem para o doce prazer, sim.

    Alguns nascem para uma noite sem fim.”

     

    Noite Sem Fim foi o primeiro livro que li da autora – muitíssimo conhecida – Agatha Christie, e provavelmente o segundo livro de suspense/investigação policial que terminei. Este foi um dos 3 livros que escolhi para ler na Maratona Literária 2018 (#MLO) organizada pelo canal Geek Freak. Esta também é a primeira vez que escrevo sobre um livro, ou seja: minha falta de conhecimento por parte desse tipo de escrita – principalmente desta categoria – me impede de discorrer muito sobre ele, mas não quer dizer que não vou tentar, porque QUE LIVRO INCRÍVEL.

     

    sobre a história, sem spoiler do desfecho

    Mike é um homem ambicioso, de família pobre, que apesar de não admitir ter essa qualidade como pessoa, declara ser alguém que está em busca de algo, de alguma coisa, tanto que se sujeitou a posição nômade-profissional, recusando-se a fixar-se em um emprego qualquer. Cita sua mãe como aquela que o conhece verdadeiramente, chegando ao ponto de assusta-lo, toda essa “cisma” faz com que ele se afaste cada vez mais da sua mãe – que tenta protege-lo.

    Certo dia, vai a um leilão de “As Torres”, terreno este que passa a cobiçar. É lá que conhece Ellie, uma das mulheres mais ricas dos estados unidos e aquela que pode ser a mulher da vida dele. Juntos, traçam uma perfeita história no terreno que almejam como casa, a casa dos sonhos. Casam-se, compram o terreno e, apesar de ouvirem histórias e avisos sobre ser o “Campo dos Ciganos” (popularmente chamado pelos habitantes da região), ignoram tais comentários e continuam uma bela vida de casados, ricos, e apaixonados.

    Ellie, se encontra numa disputa com seus outros familiares: madrasta, tios e primos, notáveis concorrentes de uma parte da herança. Apesar de ser rica, foi privada de conhecer muitas coisas, restando a Greta, eterna amiga, escudeira e governanta, a “salvação”, ou, digamos, libertação da pobre moça. Greta, a mulher que cuidava de todas as coisas para Ellie, planeja a almejada independência de Ellie quando esta atinge seus 21 anos: “compra uma casa na Inglaterra e more por lá.”. É no leilão da casa pretendida que conheceu Mike, seu então, esposo.

     

    “pobre menina rica”

    Parte de mim ainda consegue ouvi-lo dizer tais palavras, na tão bela – e suspeita – voz que criei em meu imaginário. Por mais estranho que possa parecer, ainda consigo sentir minhas mãos trêmulas depois de ter fechado o livro. Sou tão fraquinha assim mesmo ou será que estou com algum problema de tremedeira? – alô, fravo

     

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    Essa frase é citada muitas vezes, dita pelo próprio Mike, ao comparar junto com Ellie as diferenças sociais vividas por eles. Mesmo pertencendo a diferentes classes sociais, eles não discutem sobre estas questões – a não ser quando suspeitam de alguém a espreita, desejando o dinheiro da moça. Sempre que ele falava “pobre menina rica” eu ficava me perguntando o quê raios ele queria dizer com isso, não apenas na parte rasa das privações que ela sofria por ser rica, mas, além disso… Isso é uma coisa que merece atenção – e um texto sobre.

    A típica problemática do moço pobre casando com a moça rica certamente não me surpreendeu nem um pouco, até eu saber o resto da história. Tudo acontece no período de 1 ano, e o desfecho surpreende. Se pudesse te dar um conselho sobre o livro: preste atenção nos detalhes e no comportamento dos personagens, que detém uma boa capacidade de serem engenhosos.

     

    arranhando na crítica

    Agatha escreve com tamanha genialidade capaz de te colocar dentro do contexto, acreditar na história toda, sentir o que Mike sentiu e PUM: você já está caidinho aos pés do enredo, jurando de pés juntos que tudo o que o narrador fala é verdade. Pelo menos foi assim que me senti. Caí direitinho nas manhas do Mike e no final das contas, me senti como a própria Ellie “Nosso problema, Mike, é que não vivemos no mundo real. Sonhamos com coisas fantásticas que talvez nunca aconteçam.”

     

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    Com certeza não disse digitei nem metade do que gostaria sobre o livro, a questão das poesias musicalizadas que a Ellie tocava, o comportamento de Greta, a interessante mente de Mike… Muitas coisas podem ser discutidas sobre o livro, e isso se dá pela profundidade que cada personagem tem ao ponto de se tornarem reais. Este é um livro que me impactou, vale a pena ler.

     

    Se eu pudesse te dar um conselho para a vida, assim como Mike para Ellie, seria “nunca confie em ninguém”.

    não é sério, hehe